Esse é post agrega uma conversa que se deu entre mim e o Wagner. Para quem ainda não está familiarizado o @ é com quem se fala no Twitter - serviço famoso de microblog mais utilizado no muindo. Acho que seria interessante antes de continuar a ler, dar uma passada aqui, incluindo os primeiros comentários lá no fim da página, para melhor contextualizar a discussão.
Sobre jornalismo e crowdsourcing
@Skellington Depois de muito #mimimi (por minha parte!) entendi que isso é tudo espontâneo, aleatório e incontrolável. Digo, mídias sociais.
@baiano O que não quer dizer que a gente seja obrigado a utilizar o mesmo espaço com essas novas variáveis variantes. #mimimi
@Skellington Mais ou menos sobre "isso" » http://twurl.nl/fbq5se | Que acha? Adianta... incentivar? Temos é que 'ensinar', penso assim. =D
Algum tempo depois:
@Skellington Hum, leu o link do @observatorio? Concorda que não temos como parar as 'invasões', mas devemos focar no 'crowdsourcing'? Mais ainda! Hoje li no @tdoria: "organizar as informações pode ser tão mais importante do que a própria geração do conteúdo ”. \\o
@baiano Cara, li sim. Mas essa participação precisa ter um nível de organização muito amplo e bem armado. Não é só simplesmente jogar jornalistas em meio aos leitores e vice-versa, achando que tudo vai funcionar bem. E eu concordo com o trecho que você citou do @tdoria. Além de formuladores e expositores de conteúdo, somos também, organizadores.
@Skellington Na realidade, já se produzem alguns conteúdos se as pessoas se sentem ligadas por um ideal (legendas por exemplo!) Falta pra mim isso que você disse de "amplo e bem armado", em outras palavras (mobilização). Sobre isso: http://escoladeredes.ning.com
@baiano A @thafullin entrou na discussão e já liberou sua visão quanto ao assunto.
@thafullin disse:
Eu li o artigo do @observatorio e penso que não se pode comparar o trabalho de um jornalista à simples disseminação de informação já que é muito mais amplo do que isso e não é qualquer um que pode fazê-lo. Não é só sair espalhando e compartilhando notícias por aí, deve-se apurar antes para ter qualidade de informação. Não tem como substituí-lo!
E ainda, a @BiaSalvatti entrou na conversa:
Acabo de ler o artigo. O jornalista só tem a informação porque obteve de alguém comum, porém além de escutar todos os lados do assunto, realizando assim a apuração, o jornalista ciente de todo o universo envolto ao caso, faz uma observação crítica (nem sempre certeira, é claro), mostrando assim, um ponto de vista novo para os leitores. Mas é de extrema importância que essa observação crítica seja feito afim de que os leitores criem suas próprias opiniões. Afinal, queremos ser formadores de opinião, sim, mas desde que sejam opiniões inteligentes.
Minhas impressões.
Comecemos por aqui: "não se pode comparar o trabalho de um jornalista à simples disseminação de informação" + "Não tem como substituí-lo!" (por @thafullin) e aqui: "é de extrema importância que (a) observação crítica seja feita afim de que os leitores criem suas próprias opiniões." (por @BiaSalvatti)
Para responder isso vou transpor alguns trechos do que comentei no blog do Castilho no Observatório da Imprensa no post Uma conversa com os leitores sobre a tal de crowdsourcing.
Acredito que as coisas vão acontecer de forma "espontânea" (ou como o próprio Castilho completa nos comentários do post): "naturalmente". Agora, com uma maior facilidade de acesso às ferramentas de distribuição e criação de conteúdos informativos (como os blogs), a tendência é que as pessoas assimilem atos como "comentar", "compartilhar" e "recomendar" no dia-a-dia.
O que enxergo é que temos uma geração de pessoas ainda nos primeiros estágios de aprendizagem na utilização de redes sociais, locais esses onde a maioria dos conteúdos é gerado pelos próprios usuários. Mesmo com uma enorme gama de fotos, posts, tweets e outros UGC, o jornalista (enquanto profissão) acredito que vá continuar desempenhando um papel fundamental, agora mais do que nunca, na organização, na escolha desses conteúdos e principalmente na lapidação dos mesmos, na busca da melhor ângulo, aquele que vai gerar um maior debate e posteriormente uma reflexão. Não é isso que aprendemos na faculdade? Procurar todos os lados de um fato, relatar da forma mais completa, em busca da... verdade? Porque não termos ajuda do maior interessado que são os leitores/ouvintes/espectadores?
A profissão que escolhemos vai continuar a existir, penso eu que grandes reportagens ainda serão (um dos) terrenos férteis para darmos o nosso melhor. O momento agora, acredito muito nisso, é pensarmos em como atingir esse público tão diverso que vem demonstrando cada vez menos interesse por esses velhos modelos nos negócios de informação. Hora de pensar em alternativas.
Sobre jornalismo e crowdsourcing
@Skellington Depois de muito #mimimi (por minha parte!) entendi que isso é tudo espontâneo, aleatório e incontrolável. Digo, mídias sociais.
@baiano O que não quer dizer que a gente seja obrigado a utilizar o mesmo espaço com essas novas variáveis variantes. #mimimi
@Skellington Mais ou menos sobre "isso" » http://twurl.nl/fbq5se | Que acha? Adianta... incentivar? Temos é que 'ensinar', penso assim. =D
Algum tempo depois:
@Skellington Hum, leu o link do @observatorio? Concorda que não temos como parar as 'invasões', mas devemos focar no 'crowdsourcing'? Mais ainda! Hoje li no @tdoria: "organizar as informações pode ser tão mais importante do que a própria geração do conteúdo ”. \\o
@baiano Cara, li sim. Mas essa participação precisa ter um nível de organização muito amplo e bem armado. Não é só simplesmente jogar jornalistas em meio aos leitores e vice-versa, achando que tudo vai funcionar bem. E eu concordo com o trecho que você citou do @tdoria. Além de formuladores e expositores de conteúdo, somos também, organizadores.
@Skellington Na realidade, já se produzem alguns conteúdos se as pessoas se sentem ligadas por um ideal (legendas por exemplo!) Falta pra mim isso que você disse de "amplo e bem armado", em outras palavras (mobilização). Sobre isso: http://escoladeredes.ning.com
@baiano A @thafullin entrou na discussão e já liberou sua visão quanto ao assunto.
@thafullin disse:
Eu li o artigo do @observatorio e penso que não se pode comparar o trabalho de um jornalista à simples disseminação de informação já que é muito mais amplo do que isso e não é qualquer um que pode fazê-lo. Não é só sair espalhando e compartilhando notícias por aí, deve-se apurar antes para ter qualidade de informação. Não tem como substituí-lo!
E ainda, a @BiaSalvatti entrou na conversa:
Acabo de ler o artigo. O jornalista só tem a informação porque obteve de alguém comum, porém além de escutar todos os lados do assunto, realizando assim a apuração, o jornalista ciente de todo o universo envolto ao caso, faz uma observação crítica (nem sempre certeira, é claro), mostrando assim, um ponto de vista novo para os leitores. Mas é de extrema importância que essa observação crítica seja feito afim de que os leitores criem suas próprias opiniões. Afinal, queremos ser formadores de opinião, sim, mas desde que sejam opiniões inteligentes.
Minhas impressões.
Comecemos por aqui: "não se pode comparar o trabalho de um jornalista à simples disseminação de informação" + "Não tem como substituí-lo!" (por @thafullin) e aqui: "é de extrema importância que (a) observação crítica seja feita afim de que os leitores criem suas próprias opiniões." (por @BiaSalvatti)
Para responder isso vou transpor alguns trechos do que comentei no blog do Castilho no Observatório da Imprensa no post Uma conversa com os leitores sobre a tal de crowdsourcing.
Acredito que as coisas vão acontecer de forma "espontânea" (ou como o próprio Castilho completa nos comentários do post): "naturalmente". Agora, com uma maior facilidade de acesso às ferramentas de distribuição e criação de conteúdos informativos (como os blogs), a tendência é que as pessoas assimilem atos como "comentar", "compartilhar" e "recomendar" no dia-a-dia.
O que enxergo é que temos uma geração de pessoas ainda nos primeiros estágios de aprendizagem na utilização de redes sociais, locais esses onde a maioria dos conteúdos é gerado pelos próprios usuários. Mesmo com uma enorme gama de fotos, posts, tweets e outros UGC, o jornalista (enquanto profissão) acredito que vá continuar desempenhando um papel fundamental, agora mais do que nunca, na organização, na escolha desses conteúdos e principalmente na lapidação dos mesmos, na busca da melhor ângulo, aquele que vai gerar um maior debate e posteriormente uma reflexão. Não é isso que aprendemos na faculdade? Procurar todos os lados de um fato, relatar da forma mais completa, em busca da... verdade? Porque não termos ajuda do maior interessado que são os leitores/ouvintes/espectadores?
A profissão que escolhemos vai continuar a existir, penso eu que grandes reportagens ainda serão (um dos) terrenos férteis para darmos o nosso melhor. O momento agora, acredito muito nisso, é pensarmos em como atingir esse público tão diverso que vem demonstrando cada vez menos interesse por esses velhos modelos nos negócios de informação. Hora de pensar em alternativas.


2 Comentários:
Li um artigo muito interessante no Nieman Reports (da Universidade de Harvard), sobre crowdsourcing [http://tiny.cc/vYQEk], e o que eu pude reter é que a tecnologia permitiu que as pessoas, antes conhecidas apenas como público, deixassem de ficar "à margem de" e passassem a interagir e fazer parte da notícia.
A internet, como uma ferramente revolucionária e libertária, possibilitou a democratização da notícia e o jornalista perdeu o monopólio da mediação da informação, que agora é praticada pelas massas; além de permitir “um novo tipo de satisfação”, pois, se antes era o seu par (editor) quem lhe permitia grandes satisfações, ao conceder-lhe uma manchete de capa, por exemplo, hoje é o próprio leitor (internauta) que se encarrega disso.
A mídia americana parece encarar o jornalismo cada vez mais como um processo (colaborativo, diga-se) e não como um produto. Grandes mídias, como a Newsweek e o WashingtonPost.com, apostam cada vez mais em diálogos globais e numa abordagem vertical das notícias [http://tiny.cc/YM0IC]. A Nieman Reports [ http://tiny.cc/YARyD] é um exemplo emblemático disso: trata-se de uma proposta da Fundação de Jornalismo de Harvard para, em suas palavras, explorar o potencial do território da interatividade e da colaboração e "nortear a bússola para o verdadeiro norte do jornalismo atual". É, como afirmou Katie King (autora do artigo citado), um fenômeno onde os blogueiros são abraçados como parte do processo de notícias.
Essas modalidades "alternativas" de imprensa são ideais, eu acredito, para que um jornalista passe os primeiros anos de sua carreira, pois assim estará menos sujeito a ser usado como instrumento na luta ideológica e terá mais liberdade para se desenvolver, antes de sofrer a "domesticação" por parte da grande imprensa, cada vez mais autoritária, massacrante e tangencial - que apenas fica na superfície dos temas.
Quando @Skellington fala de "pessoas ligadas por um ideal", provavelmente ele se refere às panelinhas, que como muitas outras coisas no Brasil, é imprescindível para manter algum apoio e estreitar laços "profissionais" dentro de um mercado concorrido. As comunidades no orkut, ou até mesmo as pessoas quem você segue no Twitter, são fruto de uma afinidade natural ou um projeto em comum.
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